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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Direito à agua é tema de Jornada Nacional do Meio Ambiente


A água como direito humano foi o foco principal do segundo dia de discussões da Jornada Nacional do Meio Ambiente, realizada em Fortaleza (CE), na quinta-feira (14/5).  O evento teve como principal conferencista o relator especial sobre o direito humano à água potável e esgotamento sanitário do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Léo Heller, que também é especialista da Fiocruz Minas.
Léo Heller diz que governo deve garantir o cumprimento progressivo do direito à água e a sustentabilidade do acesso (Foto: Diego Camelo)
Heller, que apresentou a conferência Direito humano à agua e ao esgotamento sanitário, observou que o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), aprovado em dezembro de 2013, revela que cerca de 40% da população brasileira − 77 milhões de habitantes – não têm acesso adequado à água e que 60% − 114 milhões de pessoas − não dispõem de solução adequada para seu esgotamento sanitário.
– O direito humano à água obedece a cinco princípios. Direito à disponibilidade, qualidade, que seja fornecida com acessibilidade financeira (ou seja, não pode ser negado o fornecimento de água caso o indivíduo não possa arcar com os custos), acessibilidade física e aceitabilidade. E cabe ao governo prestar contas à sociedade e garantir o cumprimento progressivo do direito à água e a sustentabilidade do acesso. Não basta dar acesso. Esse acesso tem que se sustentar ao longo do tempo.
As regiões brasileiras menos favorecidas, apontou o relator, são Norte e Nordeste, onde a população, principalmente a mais pobre, sofre com a carência de estrutura institucional e com a falta de acesso adequado. Além disso, assinalou, as coberturas são mais baixas nas zonas rurais se comparado às zonas urbanas e muito inferiores nas vilas e favelas. Segundo Heller, isso acontece porque as políticas de saneamento têm sido muito oscilantes. Para resolver essas questões, destacou ele, é preciso ter políticas fortes, estruturadas, consistentes e de longo prazo.
– Atualmente, observamos uma recuperação. Houve um crescimento por volta de 2005/2006 por conta dos Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1 e PAC 2).  Outra iniciativa positiva foi o lançamento, no final de 2013, do Plano Nacional de Saneamento. Agora, o grande esforço do Brasil será implantar esse plano.
Em relação ao problema do acesso de água no Nordeste, Heller afirmou que vários aspectos contribuem para esse quadro. Entre eles, citou a insuficiência dos esforços governamentais, a alta densidade populacional – é a segunda região do Brasil em população – e as diversas realidades na região.
– Cada realidade exige um olhar próprio. Para melhorar as condições de saneamento é preciso ter prestadores de serviço qualificados e fortes. Por outro lado, a política tem olhado muito para o prestador de serviço. Ao se olhar pela perspectiva do direito humano, a gente passa a olhar para o direito do cidadão.
O relator da ONU ressaltou ainda que o grande problema não é necessariamente a falta de água. Ele garantiu que atualmente existe tecnologia para atender a população que vive em áreas com maior escassez hídrica.
– Quando há gestores empenhados e políticas públicas é possível resolver essas questões. Um grande dilema é que a repartição da água nos mananciais nem sempre prioriza o consumo humano. Muitas vezes prioriza a agricultura, a mineração, a pecuária e outras atividades econômicas. Pouca água nos mananciais não pode ser sinônimo de escassez.
 Em geral, de acordo com Heller, algumas parcelas da população são mais vulneráveis e discriminadas. Em sua visão, o modelo de acesso à água e ao esgotamento sanitário em geral é perverso.
– São os menos favorecidos, a população brasileira mais pobre,  que não têm acesso. É preciso ter o forte compromisso de diminuir as diferenças entre situações mais e menos favoráveis. O marco mais importante no governo federal é o Plano Nacional de Saneamento Básico. É um bom sinal, já que temos um conceito de como será o saneamento do futuro no Brasil. Mas é preciso ficar atento, porque a atual crise econômica pode colocar em risco a implementação do Plano.
A meta do milênio estabelecida pela ONU é atingir até 2030 acesso universal e equitativo da água para todos, de forma segura e acessível financeiramente.
– É preciso pensar nas estatísticas a partir das desigualdades.  Identificar diferentes grupos para comparar as diferenças de acesso entre eles.
Trabalhadores Rurais do Apodi
No encontro, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Apodi (RN), Francisco Edilson Neto, deu um depoimento, que emocionou a plateia, sobre os problemas enfrentados pela população do município. De acordo com ele, 22 comunidades da região não tem água para consumo e um decreto do governo federal vai desapropriar mais de 13 mil hectares de terra, a serem destinados à agricultura irrigada.
– Não é esse o direito que estamos sentindo. O direito a terra e à água nos está sendo negado. Água e terra não são negócios. São vida. Vamos lutar até o fim. Não queremos enriquecer. Não queremos água para o agronegócio. Queremos viver. Queremos que nossos filhos e netos tenham esses mesmos direitos.

Fiocruz

Fiocruz testa novo medicamento preventivo contra HIV/Aids


O Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e AIDS, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), conduzirá o estudo clínico HPTN077 com um medicamento totalmente novo para prevenção da AIDS. A droga, conhecida como GSK1265744, já mostrou resultados positivos em testes conduzidos para tratamento da AIDS, e agora terá seu potencial testado como parte da estratégia de prevenção da infecção pelo HIV. A pesquisa será realizada simultaneamente na África do Sul, no Brasil, nos EUA e no Malawi. 
Seleção de voluntários
Os candidatos a participar da pesquisa serão selecionados na Fundação Oswaldo Cruz. “Este critério tem como objetivo potencializar a adesão, facilitar a administração do medicamento e o acompanhamento clínico”, explica Beatriz Grinsztejn, coordenadora do Laboratório e pesquisadora líder do estudo. A proposta do projeto é avaliar a segurança, tolerância, aceitabilidade e sua farmacocinética (descrevendo o processamento da droga no corpo humano, identificando o caminho percorrido no organismo da administração à excreção).
Depois de passar por uma avaliação completa do estado de saúde, serão selecionados 20 voluntários entre os candidatos inscritos, homens e mulheres, de 18 a 65 anos, não infectados e com baixo risco de contrair o HIV. O remédio, que já provou ser seguro em testes anteriores, é injetável, será aplicado a cada três meses e o acompanhamento dos voluntários terá uma duração total de dois anos.
Estado da arte das estratégias de prevenção
Atualmente, estudos como o de Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP) já demonstraram que é possível obter 100% de proteção contra a infecção ao longo do tempo, mas para tal é necessária a ingestão diária de um antirretroviral. “Costumamos fazer uma analogia com os anticoncepcionais. Existem alternativas das mais diversas, desde o comprimido diário, até o DIU, passando por injeções trimestrais, a camisinha, enfim. Queremos que exista essa mesma diversidade nas estratégias de prevenção do HIV/AIDS. Assim cada pessoa escolherá o que melhor se adapta à rotina dela”, pondera Beatriz.
A Rede de Testes de Prevenção do HIV (The HIV Prevention Trials Network – HTPN), é uma organização colaborativa mundial que realiza estudos clínicos da segurança e eficácia de estratégias de prevenção do HIV financiada pelo governo americano. “O Brasil participa de pesquisas de ponta no tratamento e prevenção da AIDS da HPTN, mas sempre em fases mais adiantadas. Neste caso, que envolve um estudo em seus primeiros estágios, estamos no momento privilegiado, do estado da arte em que se gera mais conhecimento, se faz ciência. Lutamos que estudos assim sejam feitos com a população brasileira, pois assim teremos resultados que respondam à nossa diversidade genética, à nossa realidade. Desta forma teremos um conhecimento melhor do manuseio do produto, reações adversas, etc., e podemos conduzir melhor as fases posteriores da investigação", conclui a pesquisadora.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Contra hipertensão, alimentação saudável e zumba no shopping



Distinguir alimentos saudáveis daqueles não saudáveis é um bom começo para evitar os fatores de risco para doenças como a hipertensão. Nesta sexta-feira, 24 de abril, a Secretaria da Saúde do Estado vai orientar o público das 10 às 13 horas, no Shopping Benfica, sobre alimentação saudável e fatores de risco, durante as atividades que marcarão o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, 26 de abril. Com orientação de cardiologista e nutricionista, as atividades incluem medição do Índice de Massa Corporal (IMC) e pressão arterial e, a partir das 11 horas, aula de zumba, atividade física que mistura ginástica e dança latina, para estimular as pessoas a evitar o sedentarismo.

Conforme a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), o sedentarismo, o estresse, maus hábitos alimentares, excesso de peso e a idade são fatores de risco para a hipertensão, que tem estimativa de acometer 5 a 10% da população com até 18 anos, ou 7 milhões de crianças e adolescentes, e cerca de 30% da população adulta, chegando a mais de 50% na terceira idade. Em Fortaleza, conforme o Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizado pelo Ministério da Saúde, 38,9% da população de 18 a 24 anos comem carne com excesso de gordura, 29,7% estão com excesso de peso, 51% praticam atividades físicas insuficientes no tempo livre, 19,2% são fisicamente inativos, 7,1% fumam, 6,3% são obesos e 3% têm diagnóstico de hipertensão arterial.

A maioria das pessoas com hipertensão não apresenta nenhum sintoma no início da doença. Por isso, é chamada de doença silenciosa. A única forma de saber se a pressão está alta é verificando regularmente, com aparelhos calibrados e profissionais preparados. Os principais sintomas do aumento de pressão arterial são dor de cabeça, cansaço, tonturas, sangramento pelo nariz. Pessoas com excesso de peso, que não têm alimentação saudável, ingerem muito sal, não fazem atividades físicas, consomem muita bebida alcoólica, são diabéticas ou têm familiares hipertensos correm maior risco de serem hipertensas.

Hipertensão, usualmente chamada de pressão alta, acontece quando a pressão arterial se mantém sistematicamente igual ou maior que 14 por 9. A pressão se eleva por vários motivos, mas principalmente porque os vasos nos quais o sangue circula se contraem. Dados do Ministério da Saúde apontam que a hipertensão atinge mais de 50% das pessoas na terceira idade, está presente em 8% das crianças e adolescentes no Brasil, e é responsável por 40% dos infartos, 80% de acidente vascular cerebral (AVC) e 25% dos casos de insuficiência renal terminal. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), inclusive a hipertensão, são responsáveis por 59% dos óbitos no mundo.




Assessoria de Comunicação da Sesa

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Fórum de Editores Científicos questiona internacionalização dos periódicos brasileiros


O Fórum de Editores da Fiocruz divulgou uma carta na qual problematiza e questiona os movimentos em curso para a internacionalização dos periódicos brasileiros, e reafirmando seu compromisso com o debate político sobre a ciência brasileira e sua disseminação, constituindo espaço de discussão e formulação de políticas editoriais e de C&T que garantam a independência e a qualidade das revistas científicas.O documento parte de um importante diagnóstico: por um lado, a limitada participação de pesquisadores brasileiros em artigos com colaboradores internacionais. Por outro, a emergência de novos atores no mercado editorial – publishers ‘predadores’, que aceitam qualquer artigo mediante pagamento, e mega journals, que não usam critérios como relevância ou avanço científico para restringir publicações.
Em seguida, a carta analisa dois movimentos no sentido da internacionalização dos periódicos brasileiros. O primeiro deles, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), corre o risco de copiar – e acabar fortalecendo – o modelo de negócios dos grandes publishers. O segundo, da Scientific Electronic Library Online (SciELO), consiste na mudança de critérios para a permanência ou inclusão de periódicos em suas coleções: alguns dos novos critérios valorizados – como origem internacional de autores, participação obrigatória de pareceristas e editores estrangeiros e publicação em inglês – podem diminuir a qualidade dos artigos, ferir a autonomia editorial e reduzir a penetração de certos temas da saúde coletiva entre profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS).
“A ciência brasileira internacionalizada dessa forma deixará de lado questões de pesquisa de maior interesse regional para se adaptar ao ambiente científico dos países que lideram a publicação científica de alto fator de impacto?”, questionam os autores do documento. O objetivo do Fórum de Editores Científicos da Fiocruz não é desmerecer os esforços empenhados, mas chamar a atenção para a necessidade de um debate mais amplo e profundo sobre o desafio da internacionalização, que requer políticas e investimentos de médio e longo prazos. “Dificilmente estímulos na produção editorial por si sós serão capazes de alterar genuinamente o atual quadro de colaboração internacional acadêmica. Portanto, esse debate deve se fazer de modo articulado com as políticas tanto de pesquisa quanto de ensino do país”, destaca o documento. “Sugere-se um olhar mais cuidadoso para as especificidades e os percalços de cada área, reconhecendo-se que a internacionalização não é uma meta que deva ser seguida por todo periódico científico”.
A carta propõe, ainda, alternativas como o fortalecimento de editoras institucionais e universitárias e repositórios institucionais, que podem ter um papel importante na disseminação da produção acadêmica de modo mais amplo, descentralizado, livre e criativo.
O Fórum de Editores Científicos, criado em outubro de 2014 no âmbito da Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação (VPEIC), congrega os periódicos científicos da instituição e a Editora Fiocruz.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Semana da Água: qualidade é essencial para a saúde

A ingestão de água de qualidade é fundamental para o bom funcionamento dos rins. De acordo com o médico Augusto Guimarães, chefe do serviço de Nefrologia do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), o recomendado é ingerir de 2 a 3 litros de água por dia, dependendo do peso da pessoa. “A água deve ter pH alcalino (acima de 7) e poucos sais, principalmente sódio, pois quanto mais minérios presentes, mais dura é a água”, orienta o médico. A dureza da água é predominantemente causada pela presença de sais.

Um adulto perde, em média, 1,5 litro de água diariamente, por meio da urina, transpiração, respiração e evacuação. Para repor essa perda e manter o organismo bem hidratado, a pessoa deve ingerir água regularmente para garantir a saúde, manter a temperatura corporal estável e evitar problemas, tais como a desidratação e o mau funcionamento dos rins. A água regula as reações químicas das células, elimina os elementos nocivos e lubrifica as articulações, fornecendo proteção para os tecidos. Responsáveis por eliminar toxinas e substâncias do organismo, manter os líquidos e sais do corpo em níveis adequados e participar do controle da pressão artéria, os rins são órgãos vitais no corpo humano e é importante ficar alerta com seus cuidados e se prevenir.

Segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), uma em cada dez pessoas apresenta doença renal crônica (DRC) em algum grau. A doença afeta pessoas de todas as idades e etnias, porém a prevalência aumenta com a idade. Testes simples no sangue e urina podem detectar precocemente as DCR e diminuir a progressão da doença. A DRC tem um alto custo econômico e social, pois pacientes necessitam de cuidados pelo resto da vida. Estima-se que tratamento com as doenças dos rins crônicas custe mais do que tratamentos de câncer de mama, pulmão, cólon e pele somados.

De acordo com a OPAS, a pressão arterial elevada e diabetes são as principais causas (entre 25-33%) de doenças renais. Outras afecções menos frequentes são processos inflamatórios (glomerulonefrite) ou infecciosos (pielonefrite). Algumas DRC são herdadas (como a doença policística), ou resultado de prolongado bloqueio do sistema urinário, como a hipertrofia (aumento) da próstata ou cálculos renais. O uso prolongado de algumas drogas podem causar DRC, como anti-inflamatórios não esteroides e analgésicos.

Prevenção e tratamento
A maioria das pessoas em estágio inicial de DRC não foi diagnosticada. No entanto, o teste de função renal é simples e pode ser realizado por meio de dosagens no sangue. O chefe do serviço de Nefrologia do HGF orienta a realização anual de exames de sumário de urina e de dosagem de creatinina no sangue. O tratamento principal consiste de dieta e medicação apropriados, para ajudar a controlar o balanço crítico do corpo, que os rins normalmente controlam. Entretanto, quando há falha renal, metabólitos e fluidos acumulam e pode ser necessário tratamento de hemodiálise, ou até mesmo transplante renal associado à medicação para restaurar a função renal.

Conforme define a Sociedade Brasileira de Nefrologia, hemodiálise é o procedimento em que uma máquina limpa e filtra o sangue, realizando parte do trabalho que o rim doente não pode fazer. O procedimento libera o corpo dos resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e de líquidos. Também controla a pressão arterial e ajuda o corpo a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, ureia e creatinina. A hemodiálise é indicada para pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica graves. As sessões de hemodiálise são realizadas em clínicas especializadas ou hospitais. No Ceará, de acordo com Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA), 4.094 pacientes renais realizaram sessões de hemodiálise em dezembro de 2014. Em todo o ano, foram realizadas no Estado 568.313 sessões de hemodiálise pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No HGF, o Serviço de Hemodiálise, que funciona com moderna estrutura, realizou no ano passado 11.510 procedimentos.

O primeiro transplante de rim do Ceará foi a partir de doador vivo em 1977, no Hospital Universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará (UFC). O HGF realizou o primeiro transplante renal intervivos em 1983. Em 1988 o Hospital Universitário fez o primeiro transplante a partir de doador cadáver. Em dezembro de 2012, o Hospital das Clínicas da UFC comemorou a realização de mil transplantes renais, marca alcançada pelo HGF em abril de 2010. Nos registros da Central de Transplantes da Secretaria da Saúde do Estado a partir da sua implantação, em 1998, foram realizados no Ceará 2.808 transplantes de rim até 2014. Em todo o país, entre 1997 e o ano passado, foram realizados 68.901 transplantes do órgão, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

Orientações da OPAS/OMS para reduzir o risco de doenças renais

- Prática de exercícios físicos – O cuidado com a forma física ajuda a reduzir a pressão sanguínea e reduz o risco de DRC;

- Controle da pressão sanguínea – Muitas pessoas estão a par de que pressão sanguínea elevada pode levar a um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou um ataque cardíaco. Poucos sabem, entretanto, que esta é a causa mais comum de dano renal;

- Alimentação saudável - Opte por uma alimentação saudável, reduza o consumo de sal e mantenha seu peso controlado – Estas medidas podem prevenir diabetes, doenças cardíacas e outras afecções associadas com a DRC. A ingestão de sódio deve ser reduzida para 5-6 g de sal por dia, evitando alimentos industrializados e dando preferência a ingredientes frescos;

- Mais água – Apesar de estudos clínicos não terem chegado a um consenso sobre a quantidade ideal de água a ser consumida, recomenda-se beber 1,5 a 2l de água diariamente para eliminar sódio, ureia e toxinas do corpo, resultando em menor risco significativo de desenvolver DRC e de redução da função renal;

- Não ao fumo – O hábito de fumar diminui o fluxo de sangue para os rins, e quando isso ocorre, a função renal é prejudicada. Além disso, o hábito de fumar aumenta o risco de câncer renal em 50%;

- Não à automedicação - Não consuma medicamentos sem prescrição médica. Drogas como anti-inflamatórios e analgésicos podem comprometer a função renal se consumidos regularmente.
 
20.03.2015

Assessoria de Comunicação da Sesa

terça-feira, 17 de março de 2015

Lacen passa a coordenar teste rápido de tuberculose

O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), unidade da Secretaria da Saúde, foi habilitado pelo Ministério da Saúde para ser o coordenador da realização do teste rápido de tuberculose. Com a habilitação, fica responsável pelo treinamento e supervisão do serviço no Estado. O teste é feito através do equipamento Gene Xpert, que emite diagnóstico laboratorial da doença em apenas duas horas, agilizando assim o tratamento dos pacientes bacilíferos. O diagnóstico de tuberculose é normalmente realizado pelo exame da baciloscopia do escarro, um exame simples e que pode ser realizado em vários laboratórios. O processo todo, desde a chegada ao laboratório até a emissão do resultado, demora entre 24 e 48 horas.

O novo equipamento tem alta sensibilidade e especificidade que diminuem as chances de um laudo falso negativo e ainda indica se o paciente tem resistência aos medicamentos utilizados no tratamento. O equipamento, fornecido pelo Ministério da Saúde, está funcionando em vários hospitais e unidades: Hospital de Messejana Dr Carlos Alberto Studart Gomes, do governo do Estado; Unidade Prisional Otávio Lobo; Centro de Saúde de Sobral; Centro de Especialidades Médicas José de Alencar (CEMJA); Hospital Abelardo Gadelha Rocha, em Caucaia, e em breve no Hospital São José, do governo do Estado, que está em fase de recebimento e implantação da metodologia.

O novo procedimento é um avanço para a saúde pública do Ceará. “Esperamos que com o novo serviço que proporcionar um diagnóstico mais rápido da tuberculose pulmonar, permitindo assim um tratamento precoce e aumento da detecção da tuberculose resistente, reduza consequentemente a morbidade e mortalidade da doença”, afirma Iracema Patrício, chefe da divisão de apoio técnico e microbiologia do Lacen.  

A realização do exame por meio do Gene Xpert utiliza a mesma amostra de escarro para baciloscopia sendo colocada em um cartucho, semelhante ao de uma impressora, em seguida colocada no equipamento Gene Xpert e em 50 minutos sai o resultado como positivo ou negativo. O teste é muito mais sensível que a baciloscopia, ou seja, ele encontra muito mais resultados positivos e ainda indica se existe resistência a rifampicina, medicamento utilizado no tratamento.   

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada pelo "bacilo de Koch", cujo nome científico é Mycobacterium tuberculosis. Seu contágio ocorre por meio das secreções respiratórias. Doentes não tratados costumam eliminar grande quantidade de bactérias no ambiente, ao tossir, falar ou espirrar. Esses microrganismos podem ser transmitidos via aérea para pessoas saudáveis e provocar o adoecimento. 

A tuberculose apresenta vários sintomas. Entre os principais estão: tosse (por mais de três semanas seguidas), febre (mais comum ao entardecer), falta de apetite, perda de peso, cansaço e suores noturnos. Ao apresentar esses sintomas, a pessoa deve procurar o posto de saúde mais próximo de onde mora, para ser examinada pelo médico. A tuberculose tem cura. Para obter sucesso no tratamento é necessário tomar os medicamentos corretamente durante seis meses, sem interrupção.


17.03.2015


Assessoria de Imprensa - Lacen / CIDH / IPC

SUS oferta vacina contra HPV para meninas de 9 a 11 anos

Ascom Ministério da Saúde

Chegou a vez de as meninas de 9 a 11 anos tomarem a vacina contra o Papiloma Vírus Humano (HPV), usada na prevenção do câncer do colo do útero. A expectativa do Ministério da Saúde é a de vacinar 4,94 milhões de meninas em 2015. Junto com o grupo de adolescentes de 11 a 13 anos vacinadas no ano passado, essa pode ser a primeira geração praticamente livre do risco de morrer do câncer do colo do útero. A meta é vacinar, em parceria com as secretarias estaduais e municipais da saúde, 80% do público-alvo.

A novidade para este ano é a inclusão de 33,5 mil mulheres de 9 a 26 anos que vivem com HIV. Mais suscetível a complicações decorrentes do HPV, esse público tem probabilidade cinco vezes maior de desenvolver câncer no colo do útero do que a população em geral. A inclusão do grupo como prioritário para a prevenção segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI) do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em conformidade com o Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais.

“A vacina é extremamente segura, uma proteção para a vida. Além de proteger a menina, os estudos mostram que a comunidade também fica protegida. Por isso, devemos alertar os pais e responsáveis sobre a importância da vacina. A parceria com as escolas é fundamental nesse esforço do Ministério da Saúde. Precisamos contar com a colaboração dos pais e das escolas para conseguir alcançar a nossa meta e começar a escrever uma outra história no nosso país de enfrentamento à essa doença, que é o terceiro tipo de câncer que mais mata as mulheres no Brasil”, reforçou o ministro da Saúde, Arthur Chioro, durante o evento de lançamento da campanha, em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (9/3).

A vacina está disponível desde o início de março nas 36 mil salas de vacinação espalhadas pelo país. Para este ano, o Ministério da Saúde recomenda aos estados e municípios que façam parcerias com as escolas públicas e privadas, repetindo a estratégia adotada na primeira dose da vacina, quando 100% do público estimado, de 4,95 milhões de meninas de 11 a 13, foi vacinado. Já a segunda dose, que teve o foco a administração apenas nos postos de saúde, alcançou 2,9 milhões de meninas, atingindo 58,7% do público-alvo.

“Com a introdução da vacina, podemos reduzir drasticamente os casos de câncer do colo do útero e a taxa de mortalidade. Com isso, poderemos ter a primeira geração de mulheres livre da doença. Para isso é importante que as meninas completem o esquema vacinal, tomando as três doses da vacina, conforme o calendário preconizado pelo Ministério da Saúde”, alertou Chioro.

Esquema vacinal

Para receber a dose, basta apresentar o cartão de vacinação e o documento de identificação. Cada adolescente deverá tomar três doses para completar a proteção. A segunda deve ser tomada seis meses depois, e a terceira, cinco anos após a primeira dose. A partir de 2016, serão vacinadas as meninas de 9 anos.

As meninas de 11 a 13 anos que só tomaram a primeira dose no ano passado também podem aproveitar a oportunidade de se prevenir e procurar um posto de saúde ou falar com a coordenação da escola para dar prosseguimento ao esquema vacinal. Isso também vale para as meninas que tomaram a primeira dose aos 13 anos e já completaram 14. É importante ressaltar que a proteção só é garantida com a aplicação das três doses.

Para as mulheres que vivem com HIV, o esquema vacinal também conta com três doses, mas com intervalos diferentes. A segunda e a terceira doses serão aplicadas dois e seis meses após a primeira. Nesse caso, elas precisarão apresentar a prescrição médica.

Desde março de 2014, o SUS oferece a vacina quadrivalente, que confere proteção contra quatro subtipos do vírus HPV (6, 11, 16 e 18), com 98% de eficácia em quem segue corretamente o esquema vacinal. Os subtipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero em todo mundo e os subtipos 6 e 11 por 90% das verrugas anogenitais.

A vacina contra HPV tem eficácia comprovada para proteger mulheres que ainda não iniciaram a vida sexual e, por isso, não tiveram nenhum contato com o vírus. Hoje, é utilizada como estratégia de saúde pública em mais de 50 países, por meio de programas nacionais de imunização. Estimativas indicam que, até 2013, foram distribuídas cerca de 175 milhões de doses da vacina em todo o mundo. A sua segurança é reforçada pelo Conselho Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para a produção da vacina contra o HPV, o Ministério da Saúde firmou Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o Butantan e o Merck. Serão investidos R$ 1,1 bilhão na compra de 36 milhões de doses da vacina durante cinco anos – período necessário para a total transferência de tecnologia ao laboratório brasileiro. Para 2015, a previsão do Ministério da Saúde é de adquirir 11 milhões de doses.

Câncer do colo do útero

O câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil, atrás apenas do de mama e de brônquios e pulmões. O número de mortes por câncer do colo do útero no país aumentou 28,6% em 10 anos, passando de 4.091 óbitos, em 2002, para 5.264, em 2012, de acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer no Brasil, publicação do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Tomar a vacina na adolescência é o primeiro de uma série de cuidados que a mulher deve adotar para a prevenção do HPV e do câncer do colo do útero. No entanto, a imunização não substitui a realização do exame preventivo e nem o uso do preservativo nas relações sexuais. O Ministério da Saúde orienta que mulheres na faixa etária dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo, o Papanicolau, a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos negativos.


O HPV é um vírus transmitido pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas por meio de relação sexual. Também pode ser transmitido da mãe para filho no momento do parto. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que 290 milhões de mulheres no mundo são portadoras da doença, sendo 32% infectadas pelos tipos 16 e 18. Em relação ao câncer do colo do útero, estudos apontam que 270 mil mulheres, no mundo, morrem devido à doença. Neste ano, o Instituto Nacional do Câncer estima o surgimento de 15 mil novos casos.