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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Mais de 5 mil testes rápidos de tuberculose em apenas seis meses



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No final do ano passado, o Estado foi liberado pelo Ministério da Saúde para realizar o teste rápido de tuberculose, através do GeneXpert, equipamento que permite a emissão do diagnóstico laboratorial da doença em apenas duas horas. O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) foi habilitado como coordenador de seis unidades - Hospital de Messejana, Unidade Prisional Otávio Lobo, Centro de Saúde de Sobral, Centro de Especialidades José Alencar, Hospital São José e Hospital Abelardo Gadelha Rocha em Caucaia, que foram  contempladas com a instalação do equipamento. Desde a implantação do serviço, que incluiu a distribuição dos equipamentos pelo Ministério da Saúde e treinamento dos profissionais até maio deste ano, 5.412 laudos foram liberados, com 4.739 negativos e 673 positivos.


O diagnóstico da baciloscopia do escarro, um exame simples e que pode ser realizado em vários laboratórios. O processo todo, desde a chegada ao laboratório até a emissão do resultado, dura entre 24 e 48 horas. O novo exame tem alta sensibilidade e especificidade que diminuem as chances de um laudo falso negativo e ainda indica se o paciente tem resistência a rifampicina, medicamento utilizado no tratamento. Nos exames liberados, 30 pacientes apresentaram resistência.

 A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada pelo "bacilo de Koch", cujo nome científico é Mycobacterium tuberculosis. O contágio ocorre por meio das secreções respiratórias. Doentes não tratados costumam eliminar grande quantidade de bactérias no ambiente, ao tossir, falar ou espirrar. Esses microrganismos podem ser transmitidos via aérea para pessoas saudáveis e provocar o adoecimento.

Entre os principais sintomas estão: tosse (por mais de três semanas seguidas), febre (mais comum ao entardecer), falta de apetite, perda de peso, cansaço e suores noturnos. Ao apresentar esses sintomas, a pessoa deve procurar o posto de saúde mais próximo de onde mora, para ser examinada pelo médico. A tuberculose tem cura. Para obter sucesso no tratamento é necessário tomar os medicamentos corretamente durante seis meses, sem interrupção. Os medicamentos são garantidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).  

30.06.2015

Assessoria de Imprensa - Lacen/CIDH/IPC
Suzana de Araújo Mont'Alverne ( suzana.alverne@lacen.ce.gov.br / 85 - 3101.1488)



terça-feira, 23 de junho de 2015

Especialista alerta para riscos da bolsa térmica durante a amamentação



Embora seja muito recomendado, o uso de bolsas térmicas no seio da lactante não é aconselhado por especialistas. Isto porque o uso da bolsa térmica quente ou fria podem provocar queimaduras.
“Aqui no Banco de Leite Humano (BLH) não indicamos o uso da compressa, somente em alguns casos, se a paciente chega com nódulos no seio, recomendamos que ela faça massagem, e a retirada do leite. Compressa somente a fria e para as mães portadoras de HIV ou as que por alguma razão não vão amamentar, nestes casos indicamos a compressa fria para inibir a lactação. Já a compressa morna, não indicamos em nenhuma situação”, explicou Nina Savoldi, enfermeira do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
A seguir a especialista responde às principais dúvidas das mamães sobre o uso de bolsas térmicas.
Qual a diferença entre a bolsa térmica morna e a fria?
Nina Savoldi: A fria inibe a produção do leite através da vasoconstrução. A morna causa uma vaso dilatação, podendo aumentar a produção. No entanto, essas compressas podem causar efeito contrário, por isso preferimos a massagem, pois ela ajuda a dissolver os nódulos, sem precisar fazer compressa quente.
Quais são os riscos para a lactante?
O grande problema da compressa quente é que algumas mães, que estão com mastite e usam a este tipo de bolsa térmica começam a ter queimaduras. “Nosso conselho para as mães que estão amamentando e estão com o leite empedrado, é só fazer massagem e tirar o leite, colocar o bebê mais vezes para amamentar em livre demanda, notar se ele está pegando na auréola da forma coreta”, explicou Nina Savoldi. A compressa quente aumenta a produção de leite, por este motivo as mães que estão com leite empedrando por conta da grande produção de leite não devem usar este tipo de compressa.
Qual seria a melhor alternativa ao uso de bolsas térmicas?
A especialista aconselha somente o uso de massagens para auxiliar as mamães que estão tendo problemas com a grande quantidade de produção de leite, assim como, a ordenha e a amamentação em livre demanda do bebê. “Aconselhamos às mamães prestarem atenção nos sinais de fome do bebê, por exemplo, o gemido, ou o lamber da mãozinha, e antes dele começar a chorar, já colocá-lo no peito”, esclareceu ela. Já a bolsa térmica fria é aconselhada apenas para inibição do leite, para mães que não podem amamentar seus bebês.
Em caso de outras dúvidas, procure o Banco de Leite Humano do IFF, de segunda a sexta-feira, das 8h às 15h, na Av. Rui Barbosa, 716 – Flamengo, ou entre em contato com o SOS Amamentação, pelo telefone 08000 26 8877.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Encontro estadual quer ampliar uso da caderneta de saúde do adolescente


A saúde dos adolescentes e das adolescentes estará no centro das discussões entre gestores e profissionais das equipes de saúde da família dos 184 municípios nos dias 29 e 20 deste mês de junho, no auditório da Escola de Saúde Pública do Ceará, na Avenida Antônio Justa, 3161, Meireles, em Fortaleza. Nesses dois dias a Secretaria da Saúde do Estado realizará o Encontro Estadual Fortalecendo Direitos de Adolescentes: “a Caderneta na Agenda Proteger e Cuidar”. Um dos principais objetivos é a expansão da oferta e uso da caderneta de saúde do adolescente, elaborada pelo Ministério da Saúde e distribuída entre todos os estados e municípios  para servir de apoio num tempo da vida rico em descobertas e mudanças. A adolescência, como está definido no Estatuto da Criança e Adolescente, é o tempo da vida entre 10 e 19 anos de idade.  

A Caderneta de Saúde do Adolescente e a Caderneta de Saúde da Adolescente são documentos úteis, que além de dados pessoais, trazem dicas de como evitar doenças, destacando que “para curtir a vida e desenvolver todas as capacidades, é preciso ter muita saúde” e que “aprender a cuidar do próprio bem-estar físico, emocional, psicológico, espiritual e social é um dos desafios mais importantes para uma vida saudável”.  Nas cadernetas há  o calendário de vacinação, com as vacinas disponíveis para os adolescentes , entre elas a que previne contra a hepatite B e deve ser tomada em três doses. A segunda dose deve ser um mês após a primeira dose e a terceira dose seis meses após a primeira dose. Nas últimas páginas, as cadernetas,  que têm formato de bolso para facilitar a utilização e a acomodação nas bolsas e mochilas dos adolescentes, há um serviço com informações úteis, incluindo telefones e sites de serviços públicos.

Programação     
    
O “Encontro Estadual Fortalecendo  Direitos de Adolescentes: a Caderneta na Agenda Proteger e Cuidar” , que é resultado de uma série de oficinas já promovidas em diversas regiões e municípios, começará às 8h30min do dia 29. A saúde do adolescente e da adolescente será discutida em mesas redondas e painéis, com a participação de especialistas do Ministério da Saúde, da Secretaria da Saúde do Estado e das Coordenadorias Regionais de Saúde (CRES da Sesa).  A assessora técnica da área do adolescente do Ministério da Saúde, Maria da Guia de Oliveira, participará do encontro.    

Assessoria de Comunicação da Sesa
Selma Oliveira / Marcus Sá

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Fiocruz Amazonas descobre novo vírus que afeta crianças

Camila Carvalho / Ascom Fiocruz Amazonas

A doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazonas), Patrícia Puccinelli Orlandi, e o pesquisador do Laboratório de Medicina da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), Tung Gia Phan, descobriram um novo tipo de vírus que causa diarreia e paralisia flácida temporária nos membros inferiores de crianças de 0 – 5 anos de idade. O vírus também pode causar encefalite e levar a morte.

A partir da análise molecular das fezes de crianças com diarreia, atendidas em prontos-socorros de Manaus, os pesquisadores encontraram, pela primeira vez no Brasil, o vírus do gênero Gemycircularvirus que causa, além da diarreia, paralisia flácida temporária nos membros inferiores. A descoberta foi publicada em um artigo, em abril deste ano, na revista Virology, disponível para acesso público.

“A paralisia nos membros inferiores, ou seja, nas pernas, não é simplesmente a fraqueza que dá após longos períodos diarreicos. É uma paralisia total, com impossibilidade de andar por até duas semanas”, disse a pesquisadora da Fiocruz Amazônia.

Segundo Patrícia Orlandi, de 2007 a 2009, pesquisadores da Fiocruz Amazonas coletaram 1,5 mil amostras de fezes de crianças, de 0 a 10 anos, com diarreia atendidas no Hospital e Pronto Socorro João Lúcio e na Policlínica da Codajás (PAM Codajás), em Manaus, para analisar quais tipos de vírus e bactérias mais acometem as crianças na capital do Estado.

O estudo recebeu aporte financeiro do governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no âmbito do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS).

“O pesquisador da Califórnia (Tung Gia Phan) viu nosso estudo e entrou em contato conosco solicitando 600 amostras para analisar com relação a novos tipos de vírus. Em cinco das 600 amostras ele encontrou o novo vírus do gênero Gemycircularvirus. Parece pouco, mas significa dizer que o vírus está circulando e que temos de melhorar o diagnóstico para que haja tratamento adequado e o quadro não se agrave”, disse Patrícia Orlandi.

Kit de diagnóstico

Diante dos resultados, Patrícia Orlandi informou que está iniciando um estudo para o desenvolvimento de um kit de diagnóstico rápido do vírus Gemycircularvirus. “Com o desenvolvimento de um kti para diagnóstico, auxiliaremos na vigilância epidemiológica de um vírus que é tão agressivo e que, até então, era desconhecido”, disse.


Patrícia Orlandi explicou que a transmissão do novo tipo de vírus é feita de forma focal/oral, ou seja, a partir do consumo de água contaminada com fezes contaminada. Atualmente, o diagnóstico só pode ser feito após a análise molecular das fezes do paciente. “Tentaremos descobrir, ainda, se o vírus está circulando na região Amazônica para diminuir a incidência de casos”, esclareceu a pesquisadora.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Vacinação contra a gripe é prorrogada até 5 de junho

Com cinco municípios com meta de cobertura cumprida até a manhã desta sexta-feira, 22 de maio (Guaramiranga, Palmácia, Frecheirinha, Itatira e Uruoca), a Coordenação de Imunização da Secretaria da Saúde do Estado prorrogou a campanha de vacinação contra a gripe até o dia 5 de junho. O Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações, atualizado a cada meia hora, registrava no início da manhã de sexta-feira cobertura de 36,75% de cobertura vacinal em todo o Estado, com 647.843 doses aplicadas. A cobertura estava em 38,45% das crianças de 6 meses a menos de 5 anos, 29,43% dos trabalhadores de saúde, 39,35% das gestantes, 44,42% das mulheres com até 45 dias pós-parto, 36,06% da população indígena e 36,42% dos idosos a partir dos 60 anos. Devem também se vacinar pessoas com doenças crônicas, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.

No Ceará, a meta da campanha é imunizar no mínimo 80% da população-alvo de 1.762.872 pessoas em todo o Estado. Em todo o Brasil a cobertura está em 47,64% da população-alvo e, no Nordeste, em 41,70%. Nos últimos cinco anos, o Ceará cumpriu as metas de vacinação, com coberturas que variaram de 82,51% a 89,72%. No ano passado a cobertura atingiu 84,27% da população dos grupos prioritários. Durante a campanha são oferecidas as vacinas Influenza Trivalente, que protege contra Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2) e Influenza B (sazonal), pneumococo 23 valente para proteger pessoas institucionalizadas e acamadas contra doenças invasivas, e Hepatite B, para intensificação na faixa etária até 49 anos.

A influenza é uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. É de elevada transmissibilidade e distribuição global, com tendência a se disseminar facilmente em epidemias sazonais. A transmissão ocorre por meio de secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir, espirrar ou pelas mãos, que após contato com superfícies recém‐contaminadas por secreções respiratórias pode levar o agente infeccioso direto a boca, olhos e nariz. A gripe comum, como é conhecida, pode levar a complicações graves e ao óbito, especialmente nos grupos de alto risco para as complicações da infecção.

Assessoria de Comunicação da Sesa


Lacen realiza dias 28 e 29 mutirões de exames de DNA

O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) é a unidade da Secretaria da Saúde responsável pela realização de exames de DNA para confirmação de paternidade na rede pública no Estado. Durante todo o ano, a equipe do laboratório realiza mutirões na capital e interior. O próximo mutirão já está agendado. Ocorrerá em Sobral, nesta quinta-feira, 28 de maio, com atendimento das 8h às 17h, e na sexta-feira, 29, das 8 às 12 horas, no Laboratório Municipal de Sobral, na Avenida José Euclides Ferreira Gomes, 825.

Os pedidos de coletas para testes de paternidade são encaminhadas ao Lacen pela Defensoria Pública do Estado, e ainda pelos Núcleos de Mediação e de Justiça Comunitária e os Conselhos Tutelares. As coletas também são feitas no interior do Estado, no Lacen de Crato, Icó, Juazeiro do Norte, Senador Pompeu e Tauá.

Desde janeiro de 2009, quando o serviço teve início no Lacen, até abril deste ano foram feitos 19.794 testes de DNA, sem nenhum custo para as famílias. Antes do Lacen realizar e assumir os testes, a fila de espera era longa. Havia famílias esperando há cinco anos. A fila se formava porque a procura era superior aos 50 exames feitos, por mês, através de convênio que a Sesa tinha com a Universidade Federal do Ceará. Hoje não há fila de espera. O Lacen faz 350 exames ao mês, em média. Após a coleta do material, o exame é entregue em aproximadamente um mês.

Assessoria de Imprensa - Lacen / CIDH / IPC


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Direito à agua é tema de Jornada Nacional do Meio Ambiente


A água como direito humano foi o foco principal do segundo dia de discussões da Jornada Nacional do Meio Ambiente, realizada em Fortaleza (CE), na quinta-feira (14/5).  O evento teve como principal conferencista o relator especial sobre o direito humano à água potável e esgotamento sanitário do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Léo Heller, que também é especialista da Fiocruz Minas.
Léo Heller diz que governo deve garantir o cumprimento progressivo do direito à água e a sustentabilidade do acesso (Foto: Diego Camelo)
Heller, que apresentou a conferência Direito humano à agua e ao esgotamento sanitário, observou que o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), aprovado em dezembro de 2013, revela que cerca de 40% da população brasileira − 77 milhões de habitantes – não têm acesso adequado à água e que 60% − 114 milhões de pessoas − não dispõem de solução adequada para seu esgotamento sanitário.
– O direito humano à água obedece a cinco princípios. Direito à disponibilidade, qualidade, que seja fornecida com acessibilidade financeira (ou seja, não pode ser negado o fornecimento de água caso o indivíduo não possa arcar com os custos), acessibilidade física e aceitabilidade. E cabe ao governo prestar contas à sociedade e garantir o cumprimento progressivo do direito à água e a sustentabilidade do acesso. Não basta dar acesso. Esse acesso tem que se sustentar ao longo do tempo.
As regiões brasileiras menos favorecidas, apontou o relator, são Norte e Nordeste, onde a população, principalmente a mais pobre, sofre com a carência de estrutura institucional e com a falta de acesso adequado. Além disso, assinalou, as coberturas são mais baixas nas zonas rurais se comparado às zonas urbanas e muito inferiores nas vilas e favelas. Segundo Heller, isso acontece porque as políticas de saneamento têm sido muito oscilantes. Para resolver essas questões, destacou ele, é preciso ter políticas fortes, estruturadas, consistentes e de longo prazo.
– Atualmente, observamos uma recuperação. Houve um crescimento por volta de 2005/2006 por conta dos Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1 e PAC 2).  Outra iniciativa positiva foi o lançamento, no final de 2013, do Plano Nacional de Saneamento. Agora, o grande esforço do Brasil será implantar esse plano.
Em relação ao problema do acesso de água no Nordeste, Heller afirmou que vários aspectos contribuem para esse quadro. Entre eles, citou a insuficiência dos esforços governamentais, a alta densidade populacional – é a segunda região do Brasil em população – e as diversas realidades na região.
– Cada realidade exige um olhar próprio. Para melhorar as condições de saneamento é preciso ter prestadores de serviço qualificados e fortes. Por outro lado, a política tem olhado muito para o prestador de serviço. Ao se olhar pela perspectiva do direito humano, a gente passa a olhar para o direito do cidadão.
O relator da ONU ressaltou ainda que o grande problema não é necessariamente a falta de água. Ele garantiu que atualmente existe tecnologia para atender a população que vive em áreas com maior escassez hídrica.
– Quando há gestores empenhados e políticas públicas é possível resolver essas questões. Um grande dilema é que a repartição da água nos mananciais nem sempre prioriza o consumo humano. Muitas vezes prioriza a agricultura, a mineração, a pecuária e outras atividades econômicas. Pouca água nos mananciais não pode ser sinônimo de escassez.
 Em geral, de acordo com Heller, algumas parcelas da população são mais vulneráveis e discriminadas. Em sua visão, o modelo de acesso à água e ao esgotamento sanitário em geral é perverso.
– São os menos favorecidos, a população brasileira mais pobre,  que não têm acesso. É preciso ter o forte compromisso de diminuir as diferenças entre situações mais e menos favoráveis. O marco mais importante no governo federal é o Plano Nacional de Saneamento Básico. É um bom sinal, já que temos um conceito de como será o saneamento do futuro no Brasil. Mas é preciso ficar atento, porque a atual crise econômica pode colocar em risco a implementação do Plano.
A meta do milênio estabelecida pela ONU é atingir até 2030 acesso universal e equitativo da água para todos, de forma segura e acessível financeiramente.
– É preciso pensar nas estatísticas a partir das desigualdades.  Identificar diferentes grupos para comparar as diferenças de acesso entre eles.
Trabalhadores Rurais do Apodi
No encontro, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Apodi (RN), Francisco Edilson Neto, deu um depoimento, que emocionou a plateia, sobre os problemas enfrentados pela população do município. De acordo com ele, 22 comunidades da região não tem água para consumo e um decreto do governo federal vai desapropriar mais de 13 mil hectares de terra, a serem destinados à agricultura irrigada.
– Não é esse o direito que estamos sentindo. O direito a terra e à água nos está sendo negado. Água e terra não são negócios. São vida. Vamos lutar até o fim. Não queremos enriquecer. Não queremos água para o agronegócio. Queremos viver. Queremos que nossos filhos e netos tenham esses mesmos direitos.

Fiocruz